De acordo com dados da pesquisa “Expectativa da mulher brasileira sobre sua vida sexual e reprodutiva: as relações dos ginecologistas e obstetras com suas pacientes” (2019), realizada pela Febrasgo, 76% das mulheres (independente de sua orientação sexual) realizam consultas ginecológicas anualmente. Ao considerar somente as mulheres que fazem sexo com mulheres (MSM), o percentual cai para 47%, de acordo com o relatório Atenção Integral à Saúde das Mulheres Lésbicas e Bissexuais, do Ministério da Saúde (MS).
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Conforme a terapeuta sexual e sexóloga clínica Dani Fontinele, apresentadora do podcast “Clitcast” e membro da Associação Brasileira dos Profissionais de Saúde, Educação e Terapia Sexual (Abrasex), não é raro ver profissionais desprezando ou minimizando a sexualidade de mulheres lésbicas, como se só os relacionamentos com homens pudessem indicar uma vida sexual ativa.
Para Vitor Maga, o principal motivo de as mulheres lésbicas evitarem consultas ginecológicas é o receio de sofrerem preconceito aliado ao medo de não serem compreendias durante a consulta. “Muitas vezes, por conta da falta de treinamento e até por intolerância, alguns ginecologistas não sabem fazer o acolhimento à diversidade sexual. Ainda há uma visão muito antiquada de que saúde sexual feminina se resume justamente àquelas pacientes que têm risco de câncer de colo, por exemplo, pela relação sexual pênis-vagina. E isso é um grande equívoco”, avisa. Além disso, existe o mito de que as lésbicas não têm risco de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST’s) por não se relacionarem com homens, o que é um erro.
Dani também chama a atenção para o fato de que, ao contrário do que acontece com adolescentes hetero, as meninas lésbicas não vêem “motivo” para começarem a cuidar cedo da saúde íntima. “A principal motivação das garotas heterossexuais mais jovens é o início da vida sexual e a consequente necessidade de uma prescrição de pílula anticoncepcional, o que não ocorre com as lésbicas. Daí as consultas e os exames preventivos de praxe acabam sendo feitos de modo tardio”, observa.
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No ponto de vista de Lúcia, da Febrasgo, o treinamento adequado para diferentes orientações sexuais e identidades de gênero é fundamental. “Isso precisa ocorrer já na graduação, não forma de uma especialização, por exemplo. Falar em ‘especialização’ é discriminar de novo”, atesta. “Mas também é preciso haver interesse da classe médica em buscar informação e entender como prestar um atendimento eficiente e humanizado para pessoas diversas e suas necessidades”, completa Dani.

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