Pais e a educação sexual dos filhos

No Brasil, o governo federal anunciou recentemente a retomada da educação sexual no currículo escolar. Isso significa que alunos do ensino básico voltarão a ter aulas sobre saúde sexual e reprodutiva, incluindo temas como infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Segundo o Ministério da Saúde, 99% dos municípios já aderiram.

Para Dani Fontinele, terapeuta sexual, sexóloga clínica e especialista em Prevenção de Abuso Sexual Infantil, não aprender habilidades sobre relacionamentos saudáveis e tomada de decisões sexuais pode ter consequências graves.

“Para combater o assédio sexual e a violência, a educação sexual em casa e nas escolas deve ir além das informações básicas sobre biologia, abstinência e consentimento, abordando as complexidades dos relacionamentos íntimos”, aponta ela.

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Os estudos comprovam: de acordo com a Academia Americana de Pediatria, quando os pequenos recebem educação e suporte dos pais, eles têm maior probabilidade de adiar a primeira vez, de se preocuparem com a contracepção e de serem seletivos na hora do sexo.

“Dar espaço para que os filhos queiram falar sobre o assunto cria um ambiente de apoio e tranquilidade, no qual as crianças se sentirão à vontade para trazer perguntas e preocupações”, completa a terapeuta sexual Dani Fontinele.

Como abordar sem intimidar

Primeiramente, segundo a psiquiatra Danielle Admoni, falar sobre sexo não pode gerar um clima constrangedor. “Se o sexo é algo natural, ele deve ser tratado como tal, para que não se torne um tabu, trauma ou algo inibitório. Portanto, nada de ‘senta aqui que precisamos ter uma conversa’. A abordagem pode começar aos poucos e de forma cotidiana”.

A sexóloga Dani Fontinele concorda. “Uma vez que você assusta e afasta a possibilidade desse diálogo, dificilmente conseguirá estabelecer uma relação confiável para esse tema. Sendo assim, vá com calma. O mais importante é proporcionar conforto, liberdade e segurança para a criança e manter esse canal aberto em todas as fases do seu filho”.

Outro aspecto de grande relevância é o apoio aos tópicos sobre gênero e sexualidade. “Jovens LGBTQIAPN+ têm taxas mais altas de depressão e estão em maior risco de outras condições de saúde mental, incluindo suicídio. Eles precisam de apoio e ajuda de diversas áreas, principalmente nessa fase da vida, quando nem eles entendem direito o que estão vivenciando, sentindo”, ressalta Dani Fontinele.

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“Vale lembrar que a educação sexual deve ser trabalhada tanto na escola como em casa. Uma linha de informação não anula a outra, muito pelo contrário. Elas se complementam na formação de um cidadão seguro de sua sexualidade, do respeito com seu corpo e com o das outras pessoas, com as diferenças, e com os cuidados que precisam ter diante das violências existentes na sociedade”, finaliza Dani Fontinele.

Leia mais em: https://delas.ig.com.br/filhos/2023-08-25/pais-educacao-sexual-filhos.html

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