Esse fenômeno, complexo e repleto de nuances, é conhecido como “baby clash” (choque ou conflito do bebê, em português) e tem se tornado cada vez mais comum nas relações modernas.
Embora seja um dos momentos mais significativos e esperados, a chegada de um filho pode resultar em mudanças bruscas no relacionamento de um casal.
Segundo Dani Fontinele, terapeuta sexual e membro da Abrasex, o baby clash refere-se às crises conjugais que geralmente surgem no pós-parto, se intensificam nos primeiros seis meses de vida do bebê e podem persistir por anos, caso o casal não se separe.
“O que era uma parceria se torna agora uma família, com todas as mudanças que isso implica. E o seguinte cenário tem sido comum: ‘o casal tem um relacionamento que funciona bem, até que vem o primeiro filho e tudo se torna mais estressante e menos excitante’”, explica.
A terapeuta também ressalta que, na ausência de cumplicidade entre os parceiros, há inúmeras razões para o baby clash desencadear eventos potencialmente estressantes no relacionamento.
O que dizem os estudos
Uma pesquisa envolvendo 2 mil casais, realizada por ChannelMum.com e divulgada pelo Independent, mostrou que um terço dos casais passa por crises graves no relacionamento durante o primeiro ano de vida do bebê, especialmente nos seis primeiros meses, enquanto um quinto deles acaba se separando neste período.
Monica Machado, psicóloga e fundadora da Clínica Ame.C, destaca que os primeiros meses com um bebê nem sempre são caracterizados pela felicidade e paz de espírito.
“As tarefas aumentam, a qualidade de sono diminui e a exaustão chega ao nível máximo. Um cenário que tem tudo para discussões e troca de farpas. No entanto, é preciso que ambos se lembrem de que estão no mesmo barco. A fadiga, que é inevitável nesta fase, não pode minar o que há de melhor no entrosamento do casal”.
(…)
Como superar o baby clash
No entanto, segundo Dani Fontinele, muitas vezes o casal se deixa levar pela exaustão e vai postergando a resolução dos conflitos. Porém, o risco do baby clash se agravar cresce, e a chance de uma ruptura também.
“Mesmo que o relacionamento já esteja enfraquecido, sempre há uma chance de resgatar a conexão anterior. O nascimento de uma criança, a descoberta da maternidade/paternidade, as mudanças no corpo e na mente… juntos, esses aspectos vão constituir uma nova dinâmica que o casal, agora família, deve aprender a praticar”.
Não hesitem em falar: evitem sufocar seus sentimentos, especialmente se eles dizem respeito ao relacionamento.

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