Glossário do sexo

No Dia do Sexo, especialistas falam abertamente sobre os termos e práticas sexuais de forma fácil e descomplicada neste glossário do sexo:

1. Assplay

“A gente pode imaginar tudo o que pode acontecer de brincadeiras e de carícias no ânus, sem o pênis. Isso inclui até penetração, mas não do pênis”, explica Dani Fontinele. A acrescenta que pode ser de um carinho, um sopro, uma lambida até introduzir “o que a pessoa aguentar”, sendo este caso chamado de fisting.

“É quando se coloca o braço inteiro, o punho, o pé, é bem complexo. Tem que ter cuidado, porque precisa de um preparo e não é uma prática que pode-se fazer todos os dias. Vai alargar e pode comprometer, tem um limite”, alerta ela.

Júlia Ferraro acrescenta que se perde muito na definição de assplay na tradução para o português. “Quando falamos em brincadeiras na região anal, geralmente só pensamos em sexo anal. E existem outras formas. Toda a região anal é muito enervada, muito suscetível a estímulos. As brincadeiras na região envolvem beijos, línguas, vibradores, dedos, plugs. É usar a criatividade mesmo.”

2. BDSM

O BDSM pode ser definido como um jogo erótico com troca de poder, considerando cuidado, consenso e segurança, aponta Dani: “As práticas de BDSM precisam ter consentimento, respeito e cuidado.” A sigla pode ser dividida em três blocos:

  • BD (bondage e disciplina): “Bondage é toda a parte de restrição de movimentos e sentidos, como uma amarração de mãos e pernas, seja com corda ou algema, o que for. Vendar os olhos, colocar uma mordaça na boca, tapar os ouvidos. E disciplina é a parte de obediência.”
  • DS (dominação e submissão): “Dentro das práticas de BDSM sempre vai ter uma pessoa que domina e a outra que se submete, e essa pessoa está se submetendo a qualquer coisa, tudo dentro de um consentimento e de um combinado prévio.”
  • SM (sadismo e masoquismo): “O sadismo é o prazer em machucar e fazer a outra pessoa sentir dor. E o masoquismo é o prazer em ser ‘machucado’, em sentir dor.”

Ainda segundo a sexóloga, esse é jogo erótico de troca de poder, então seja no BD, no DS ou no SM, sempre terá a troca de poder. “Vai ser sempre um dominando o outro, pode até mudar num determinado momento ou numa próxima cena, mas sempre vai ter a pessoa que está dominando (TOP) e a que está se submetendo (bottom), e pode ter a switcher também, que pode assumir os dois papéis”, acrescenta.

3. Beijo grego

“É um beijinho, uma lambida, um sexo oral no ânus. A gente pode considerar que é uma parte do assplay, é uma brincadeira na região”, explica Dani Fontinele. Essa prática sexual nasceu na Grécia Antiga (por isso se chama beijo “grego”) e também é conhecida como anilíngua ou cunet.

4. Chuca

O que significa a expressão “fazer a chuca”? “É a lavagem do reto para deixá-lo limpinho para receber uma penetração anal. Tem gente que faz isso com o chuveirinho no ânus ou enche uma garrafinha de água e espreme”, esclarece a terapeuta sexual.

Dani Fontinele afirma, entretanto, que não é obrigatório realizar a lavagem para fazer sexo anal. “Se a pessoa não vai ao banheiro há uns dois dias, não é recomendável fazer sexo anal. Mas mesmo que a pessoa tenha feito a chuca mais cedo e demorou um tempinho para ter relação ou comeu muito, pode ser que já tenha fezes nessa parte do reto. E tudo bem”, pondera a especialista, lembrando que algumas pessoas sentem aversão ou vergonha. “E tem parceiro que exige isso. Se suja, até dá briga”, explica.

“A chuca não pode ser banalizada. Você não pode ficar toda hora injetando água ou algum tipo de soro, tipo diariamente ou muitas vezes por semana, no reto porque pode atrapalhar a flora intestinal”, alerta Júlia.

5. Cuckold e cuckqueen

Essa é uma das maiores fantasias sexuais, segundo apontam as especialistas. Em alguns casos, essa prática aparece até antes do ménage. “Algumas pessoas chamam de ‘fantasia de ser corno’. Nada mais é do que a fantasia de um homem ver a sua mulher com outro homem”, explica Dani.

Diferentemente do ménage, em que os três participam, no cuckold, a pessoa que fica olhando não participa. E a prática conta com situações diferentes. “Tem pessoas que gostam de organizar esses encontros, de escolher com quem esse parceiro vai interagir, gostam de filmar, de fotografar, de dirigir a cena. Mas o tesão maior mesmo é no fato de ver o parceiro sentindo muito prazer com outras pessoas”, destaca a empresária.

E tem ainda a pessoa que gosta de saber o que está acontecendo em outro lugar e a mulher conta tudo ao chegar em casa; ou a mulher que grava tudo para o parceiro assistir depois ou em tempo real; e dele estar na cena assistindo a tudo e sendo humilhado: “É o que mais acontece”, pontua Dani.

A terapeuta sexual relata que existe uma problemática nessa prática e que atendeu alguns casos no consultório: “Situações de coerção, de homens que obrigam a mulher a fazer isso, de ameaçar terminar a relação se ela não fizer. Muitas vezes é legal no começo, mas depois, quando ela não quer mais, o homem não deixa voltar atrás.”

Normalmente, no cuckold, o homem escolhe a pessoa que vai entrar nessa relação. “Às vezes, tem algumas características específicas que ele gosta que esse homem, o Bull, tenha”, acrescenta a especialista, citando o termo usado para esse papel assumido pela pessoa.

O cuckqueen costuma ser mais raro, segundo ela: “Seria a mulher que quer ver o seu marido com outra mulher e ficar assistindo.”

6. Cunillingus

“É sexo oral em vulva, só isso mesmo”, explica Fontinele. A origem é do latim: cunnus (vulva) e lingus (língua).

7. Dildo

Conforme explica a especialista, dildo é todo o aparato ou equipamento em formato fálico que possa ser inserido tanto no ânus quanto na vagina: “Com essa intenção. É o que chamavam antigamente de consolo. Por exemplo, quando a mulher não tem um pênis porque é solteira ou viúva, ela ‘se consola’ com o de mentira’. Alguns dildos são em formato de pênis, mas eles não vibram.”

A diferença para o vibrador é que os dildos não vibram. “E hoje temos vibradores que não têm intuito de penetração, são massageadores de clitóris, ficam mais por fora. O dildo não, o intuito dele é a penetração”, explica.

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