Como falar com os filhos sobre educação sexual

Especialistas afirmam que a educação sexual é a melhor forma de prevenir e enfrentar o abuso sexual de crianças e adolescentes.

Explique apenas o que a criança está pronta para assimilar

Para Dani Fontinele, terapeuta sexual e sexóloga clínica, membro da ABRASEX (Associação Brasileira dos Profissionais de Saúde, Educação e Terapia Sexual), é importante falar com a criança conforme a maturidade e o entendimento que ela tem.

“Responda aquilo que a criança perguntou, sem muitos detalhes. Ao mesmo tempo, é muito importante que os pais ou os adultos responsáveis falem a verdade. Se não vier mais nenhuma pergunta, você sabe que aquilo satisfez a dúvida da criança, se vier, responda”, orienta a especialista em Prevenção de Abuso Sexual Infantil pela Metodologia Claves América Latina e apresentadora do Podcast Clitcast.

Sabemos que é muito comum os pequenos perguntarem: “Como eu fui parar na sua barriga?”. Você não precisa falar que foi a cegonha que colocou uma semente ali, mas pode dizer o seguinte: “‘O papai e a mamãe namoraram. A mamãe tem uma sementinha e o papai colocou a sementinha dele e você foi gerado na barriga da mamãe.’ Não importa como foi colocada essa semente, acabou aí. A resposta vai ser limitada ao que a criança já tem de bagagem“, ressalta Dani.

De acordo com a especialista, o papo sobre o ato sexual só deve ocorrer após os 9 anos, quando a criança já fala e reflete a partir das mudanças e transformações vindas com a adolescência. “Os pais aproveitam a conversa sobre a primeira menstruação ou sobre a mudança de voz para introduzir outros assuntos importantes.”

Conversas francas e abertas geram sensação de segurança

Não existe uma frase proibida, mas sim uma forma adequada de conversar com a criança, sempre de maneira clara e aberta. “Sabemos que 90% dos casos de assédio ou até de violência sexual contra menores são praticados por pessoas conhecidas. Manter esse diálogo franco mostra para as crianças e os adolescentes que eles têm em quem confiar, que poderão contar e saberão que serão acolhidos e amados”, destaca Dani.

Outro ponto que as especialistas orientam é sempre ensinar o nome correto dos genitais, mesmo que em casa se use apelido. “Importante que a criança saiba o que é vulva ou pênis, porque, em uma situação de assédio, ela saberá descrever onde foi tocada, por exemplo. Assim, na escola ou em outro ambiente, ela será compreendida e um adulto poderá identificar o abuso e ajudar.”

Conversas sobre sexualidade não têm a ver só com sexo

Ainda assim, a sexualidade vai muito além de falar somente sobre sexo. Ela está relacionada a uma conversa ampla sobre o corpo, ao entendimento de que uma pessoa estranha não pode te tocar sem permissão. Passa também por respeito e autoestima, bem como pela compreensão das transformações que vão acontecendo ao longo dos anos, principalmente na puberdade.

A firmeza em relação ao que se pensa e diz sobre a importância de uma vida sexual consciente e segura, somada ao carinho e à sinceridade, é uma grande conselheira dos adultos que estão diante da missão de educar e proteger os filhos para que eles vivenciem os afetos e a sexualidade de maneira saudável e enriquecedora.

Leia mais em: https://vidasimples.co/vida-familiar/educacao-sexual-para-criancas-como-falar-com-os-filhos-sobre-o-tema/?amp=1

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