Ensinar crianças ou adolescentes que o clitóris existe, não é sobre sexualizá-los ou ensiná-los a se masturbar.
É anatomia básica que toda pessoa deveria saber.
É sobre ensinar crianças sobre as partes do seu corpo, não somente aquelas que você acha apropriadas.
Em meus quase 9 anos trabalhando com educação sexual, me dei conta que existe uma prática tão comum e que raramente é discutida: A rotineira omissão do clitóris da anatomia humana na educação sexual
Por que ensinar sobre a existência do clitóris, que é mais uma parte do corpo, é tão ameaçador ou controverso?
Provavelmente porque a primeira função do clitóris é prazer.
Nossa sociedade vê os genitais como algo vergonhoso, e prazer feminino como algo que deveríamos nos desculpar ou inapropriado. Então, até saber que o clitóris existe, deixamos de lado a parte do prazer.
Mas não se enganem! A superfície do nosso corpo é coberta por terminações nervosas, que experimentam o toque e enviam informação de volta para nosso cérebro sobre como sentimos as coisas – boas, ruins, cócegas, quente, frio. Quando cortamos um dedo, nós somos instantaneamente informados que machucou, com a dor.
Quando tocamos nosso próprio pênis ou o clitóris (que tem grande concentração de terminações nervosas), nosso cérebro nos diz que isso causa uma sensação boa. Não porque nós estamos pensando em algo erótico ou “sujo”, mas pela mesma razão de sentir cócegas quando alguém nos faz cócegas: porque nós somos programados para sentir esta sensação.
A vasta maioria das crianças descobrem que seus genitais são uma fonte de prazer na faixa dos 6 anos. Para muitas crianças, auto prazer é um importante método de se auto regular / acalmar – não é uma atividade erótica
Explicar para uma criança que tocar certa parte do corpo pode trazer uma sensação é simplesmente uma validação do que ela já sabe. Não tem que haver vergonha ou estigma sobre ter, falar a respeito ou curtir o próprio clítoris (uma parte do próprio corpo).
É importante validar a experiência, para eles não se sentirem inadequados, errados, precisando esconder algo
Como pais e educadores, nós não deveríamos ensinar vergonha!
Ao invés disso, nós deveríamos validar as experiências das nossas crianças e adolescentes, fornecendo informação precisa e correta. Ensinando as crianças sobre a diferença entre público e privado, sobre consentimento e sobre seus corpos, que eles vão ter para o resto da vida. Negar acesso a esse tipo de informação básica não deveria ser o padrão e não deveria ser aceitável
Quando omitimos o clitóris, nós estamos enviando uma mensagem em alta voz: alguns corpos são ruins e não vale a pena aprender sobre.
Ensine sobre clitóris. Quase 4 bilhões de pessoas tem um.
Se você não sabe como abordar esse ou outros assuntos sobre sexualidade com seus filhos ou adolescentes na família, entre em contato comigo por aqui para marcar uma consultoria. Todas suas duvidas podem ser esclarecidas e você se sentirá seguro para ter essas conversas “difíceis”
Ouça o ultimo episodio do Clitcast em que abordamos este assunto: Qual é a hora certa para falar sobre clitóris?
Com amor ❤️
Dani Fontinele

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